Desenvolvimento infantil

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As fichas reproduzidas aqui fazem parte de um manual publicado pela organização sueca Save the Children, que explica aos pais como educar seus filhos usando técnicas de disciplina positiva. O autor deste manual, Joan E. Durrant, mostra que é possível educar as crianças sem recorrer ao castigo físico, de maneira eficaz e duradoura. Veja abaixo como lidar com determinadas situações:

 

Depressão pós-parto

A chegada de um novo bebê provoca grandes transformações na vida da mãe. Algumas vezes, as mães sentem saudades do tempo em que não tinham um bebê, podendo comer, dormir e sair quando quisessem. Novas mães podem se sentir completamente sobrecarregadas com os cuidados dedicados ao bebê.

Além das mudanças de estilo de vida com a chegada do bebê, as mães passam por grandes transformações físicas. Seus hormônios flutuam para acelerar a recuperação do corpo após o parto e para criar leite para o recém-nascido.

Mesmo amando seus bebês, as mães podem desenvolver depressão depois do nascimento de seus filhos em razão da combinação de mudanças físicas e de estilo de vida pela qual estão passando. Tal depressão não é incomum. Ela não significa que a mulher é uma péssima mãe ou uma má pessoa. Trata-se simplesmente de uma reação às grandes transformações pelas quais ela está passando.

Se você anda chorando demais, sentindo-se “pra baixo”, sem energia ou sem ligação emocional com o seu bebê, deve falar com o seu médico ou uma enfermeira imediatamente. Você precisa de apoio, pessoas com quem conversar e tempo para si mesma. Ler sobre depressão pós-parto e entrar em contato com outras mães também pode ajudar.

Em alguns casos, esse tipo de depressão pode tornar-se bastante grave. Se você sente indiferença por seu bebê ou pensa em machucá-lo, diga ao seu médico o mais rápido possível. A depressão pós-parto tem tratamento.

Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

Choro de bebê

Os pais podem ficar muito cansados ao cuidar de seus bebês. Algumas vezes, podem ter vontade de sacudir ou bater na criança quando ela não para de chorar. Sacudir ou bater no seu bebê não acaba com o choro, mas ao contrário, pode:
- fazer com que ele tenha medo de você;
- pode machuca-lo, ferindo a criança ou quebrando ossos;
- prejudicar o cérebro da criança e;
- chegar até mesmo a mata-lo.

O corpo e o cérebro de bebês são extremamente frágeis. Nunca sacuda ou machuque um bebê. Se o seu filho não para de chorar, ele precisa saber que você está presente. Ele precisa ser confortado e apoiado. Não é possível mimar um bebê. Mas você nem sempre será capaz de acalmar seu bebê. Se você acha que está muito cansado e estressado, peça ajuda a sua família, amigos, médico ou outros recursos na sua comunidade.

Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

Mudanças de humor nos pais

As variações de humor dos pais influenciam tanto o comportamento de seu filho quanto sua própria reação a este comportamento. Se você está cansado, estressado, preocupado ou irritado com algo, terá mais chances de agir com agressividade em relação a seus filhos. É muito comum que os pais se peguem descontando suas frustrações nas crianças. Esse tipo de atitude pode gerar algumas consequências para as crianças, tais como:

- Quando as variações de humor dos pais são imprevisíveis, as crianças podem tornar-se inseguras e ansiosas.

- Quando os pais ignoram um comportamento em determinado dia, mas demonstram irritação com o mesmo comportamento em outro dia, seus filhos ficam confusos.

- Quando os pais brigam com as crianças porque estão preocupados com outras questões, seus filhos ficam ressentidos por não estarem sendo tratados com justiça.

- Quando os pais estão sempre nervosos e de mau-humor, as crianças sentem medo.

O humor dos pais afeta o comportamento das crianças. Para evitar isso, é importante que os pais tenham consciência de suas próprias variações de humor. Eles devem evitar descontar seu mau-humor seus filhos.

É importante que os pais durmam bem e comam alimentos nutritivos para que tenham energia o suficiente para encarar todas as tensões da vida quotidiana. Se você costuma irritar-se com facilidade, estando frequentemente triste, preocupado ou estressado, deve falar com o seu médico, uma enfermeira ou um bom amigo ou familiar. É importante que você resolva seus problemas de maneira construtiva, sem prejudicar suas crianças.

Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

Uma casa segura para crianças

Crianças pequenas precisam explorar. É dessa forma que aprendem. A exploração dos espaços é absolutamente essencial ao desenvolvimento do cérebro infantil.

Os pais precisam manter seus filhos em segurança. A melhor maneira de resolver esse problema é certificando-se de que sua casa é segura. Engatinhe pela casa e observe-a do ponto de vista do seu filho.
- Onde estão os perigos – objetos pontiagudos, venenos, objetos quebráveis? Coloque-os todos em lugares altos ou armários trancados.
- Cubra as tomadas.
- Tranque facas e ferramentas.
- Esconda medicamentos.
- Vire as alças das panelas para o lado de dentro do fogão.
- Certifique-se de que objetos pesados não podem ser puxados ou empurrados.
- Certifique-se de que sua casa é segura para ser explorada.

Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

Como controlar a raiva dos pais

Há muitos momentos na vida de um bebê em que você poderá sentir frustração ou medo, e muitas vezes esses sentimentos podem gerar raiva. A nossa irritação se dá quando acreditamos que nossas crianças estão se comportando mal de forma intencional. Se pensarmos que nossos filhos são capazes de controlar seu comportamento para nos provocar, ficaremos irritados.

No entanto, bebês não entendem nossos sentimentos, não sabem a razão de nossa irritação e têm medo de nossa raiva. Para evitar esse tipo de situação, ter paciência é de extrema importância nos primeiros anos da infância de seus filhos, já que eles aprendem a partir de nossos comportamentos como agir quando se sentirem irritados.

É necessário muito autocontrole por parte dos pais para dominar a raiva e responder com disciplina positiva. Respirar fundo pode ajudar, bem como caminhar um pouco ou sair do cômodo até se sentir mais calmo. O aprendizado infantil é gradual e levará tempo até que as crianças entendam tudo que ensinamos. Mas a compreensão de seu filho é a chave para a obtenção de seus objetivos de longo prazo, como o cultivo de um bom caráter, ética nas relações, uma pessoa pacífica e amorosa. Esses objetivos de longo prazo podem entrar em conflito com objetivos de curto prazo, que correspondem àquilo que os pais desejam que seus filhos façam imediatamente. No entanto, pensar nas metas mais distantes é a forma mais inteligente de conduzir a educação das crianças no dia a dia.

Conheça algumas dicas para controlar sua raiva:

- Conte até dez antes de dizer ou fazer qualquer coisa. Se você ainda estiver com raiva, afaste-se e conceda-se um pouco de tempo, até que fique mais calmo.
- Relaxe seus ombros, respire fundo e repita uma frase como “calma” ou “devagar”.
- Coloque suas mãos atrás das costas e diga a si mesmo que deve esperar. Não fale nada antes de se acalmar.
- Ande um pouco e pense na situação. Pergunte-se por que seu filho age desta maneira. Coloque-se no lugar da criança e planeje uma reação que respeite o ponto de vista de seu filho e que também mostre para ele as razões de sua irritação.
- Vá a algum lugar calmo e revise os passos da disciplina positiva. Volte para junto da criança apenas quando houver planejado uma resposta que respeite os objetivos de longo prazo para sua educação, que lhe dê carinho e referências claras, e que reconheça a forma de pensar e sentir de seu filho.
- Lembre-se de que esta situação é uma oportunidade de ensinar à criança como acabar com conflitos através da comunicação e da resolução de problemas.

A raiva é sinal de que você e seu filho não entendem o ponto de vista um do outro. Ela mostra que a comunicação precisa ser restaurada. Não deixe que a raiva faça com que você diga coisas más, rebaixe seu filho, ou o machuque. Não guarde rancores. Lembre-se de que o aprendizado mais importante acontece nas situações mais difíceis. Agarre cada oportunidade de agir como a pessoa que você deseja que seu filho se torne.

Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

O negativismo infantil

É completamente normal que crianças pequenas se recusem a fazer aquilo que você pede. Elas não agem assim para irritá-lo ou desafiá-lo. Elas agem desta forma porque descobrem que são indivíduos e querem experimentar sua habilidade de tomar decisões.

Algumas vezes você explicará coisas a seus filhos, mas ainda assim eles não farão o que você pede. Isso ocorre porque eles querem tomar suas próprias decisões. Nesse momento, pode ser útil oferecer escolhas às crianças para que elas exerçam sua capacidade de tomada de decisões. “Você prefere usar seu casaco verde ou seu casaco amarelo?”, “Você quer andar ou ser levado nos braços?”. Uma vez que a criança escolhe uma destas opções, seu objetivo de curto-prazo é cumprido.

Assegure-se de que as escolhas que você oferece são escolhas que você pode aceitar. Se você precisa ir a algum lugar, não pergunte se a criança “prefere sair ou ficar em casa”. Se ela escolher permanecer em casa, mas você precisar sair, a criança sentirá que a opção que ela escolhe não tem importância e que você não está sendo sincero quando a oferece.

Além disso, uma ameaça não é uma escolha. “Ou você coloca seu casaco ou eu baterei em você”, “Ou você sai de casa sozinho ou eu nunca mais o levarei comigo”. Isso não é uma escolha, e sim uma ameaça. Ameaças amedrontam seus filhos. Eles também criam uma armadilha para os pais. Se o seu filho não quiser colocar o casaco, você sentirá que deve cumprir com sua ameaça, o que fará com que a situação fique pior.

Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

Os medos das crianças

É muito difícil convencer crianças pequenas de que as coisas que elas temem não são reais. Elas ainda não entendem a diferença entre realidade e imaginação. Algumas vezes, o melhor a fazer é checar embaixo da cama de seu filho ou dentro do armário para mostrar que não há nada ali. Depois ofereça conforto e companhia para que ele relaxe e adormeça sabendo que está seguro.

Lembre-se de que a maioria de nós não gosta de ficar sozinho no escuro. O medo é uma reação natural do ser humano quando se sente vulnerável. Por vezes, a imaginação dos adultos também é capaz de voar alto quando eles estão sozinhos no escuro. Se tivermos consciência de nossos próprios medos, poderemos entender os medos de nossos filhos com muito mais facilidade.

Em algumas culturas, as crianças dormem com seus pais. Nessas culturas, é mais fácil ajudar os pequenos para que tenham um sentimento de segurança e proteção durante a noite. Já em outras culturas, a prática de pais e filhos dormirem juntos não é comum. Nessas culturas, os pais devem fazer um esforço extra para assegurar que seus filhos sintam-se seguros e protegidos.

Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

Como lidar com ataques e escândalos

Os pais podem ficar irritados quando seus filhos dão ataques e fazem manha, porque sentem vergonha ou porque acreditam que devem ser capazes de controlar o comportamento das crianças. Lembre-se de que o seu relacionamento com o seu filho é muito mais importante do que aquilo que os outros podem estar pensando. Se o seu filho der um ataque em público, concentre-se nos seus objetivos de longo prazo e em dar carinho e referências claras de educação à criança. Tente não ficar muito preocupado com o que outras pessoas pensam.

Além disso, lembre-se de que tentar controlar um escândalo é como tentar controlar uma tempestade. Não é possível. Crianças dão ataques deste tipo porque não entendem a razão de negarmos algo, e porque elas não sabem muito bem como lidar com a frustração. Dar ataque é a forma encontrada por seu filho para dizer que ele está muito frustrado. Se você gritar ou bater nele neste momento, ele ficará ainda mais frustrado. Ele também sentirá medo e acreditará haver sido incompreendido.

A melhor coisa a fazer é esperar. Fique perto para que a criança sinta-se segura enquanto é tomada pela tempestade. Algumas vezes, segurar seu filho com carinho pode ajudar a acalmá-lo. Quando o escândalo houver acabado, sente-se com seu filho e converse sobre o que aconteceu. Aproveite a oportunidade para ensiná-lo o que são sentimentos, quão fortes eles podem se tornar e quais são os seus nomes. Você também pode explicar o porquê de ter dito “não” e que você entende sua frustração. Diga o que você faz para se acalmar quando está frustrado. E certifique-se de haver dito que você o ama, não importa se ele está feliz, triste ou bravo.

Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

Tapas e palmadas

Alguns pais acreditam que dar tapas na mão, palmadas no bumbum ou bater na criança com uma vara pode ensinar importantes lições. Na verdade, o castigo físico ensina à criança que:
- É batendo que comunicamos coisas importantes.
- Bater é uma resposta aceitável para a raiva.
- As pessoas das quais elas dependem para sua proteção irão machucá-las.
- Eles devem ter medo de seus pais, ao invés de confiar neles para que ajudem e ensinem.
- Suas casas não são seguras para exploração.

É necessário pensar sobre o que queremos ensinar a nossos filhos no longo prazo. Se quisermos ensiná-los a serem pacíficos, precisamos nos mostrar como seres pacíficos. Se quisermos ensiná-los como permanecer em segurança, devemos explicar e mostra-los como fazê-lo.

Pense no efeito que ser punido fisicamente tem sobre adultos. Quando alguém nos bate, a gente se sente humilhado. Não temos motivação para agradar a pessoa que nos bateu, sentimos ressentimento e medo. Podemos inclusive ter desejo de vingança. Bater em seu filho prejudica seu relacionamento com ele, e não lhe dá a informação necessária para que tome decisões. Além disso, bater não aumenta o respeito de seu filho por você.

Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

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