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ViolĂȘncia DomĂ©stica - OrganizaçÔes fazem alerta em dia mundial de mobilização
âą 72,5% dos suspeitos de agressĂŁo conhecidos nas denĂșncias\r\ndo Disque-100 sĂŁo familiares\r\nâą Maior parte dos municĂpios brasileiros nĂŁo possuem\r\nserviço pĂșblico de atenção Ă s vĂtimas \r\n\r\nA segunda-feira, 19, marca o dia mundial de prevenção da violĂȘncia domĂ©stica. Disfarçada de disciplina e aceita como parte da educação de meninos e meninas, ela Ă© a agressĂŁo que mais atinge crianças e adolescentes em todo o mundo, segundo o Informe Mundial sobre ViolĂȘncia contra Crianças e Adolescentes da ONU, produzido pelo especialista independente Paulo SĂ©rgio Pinheiro em 2006. No Brasil, entre 2003 e novembro de 2007, dos 76.568 suspeitos identificados no Disque 100, serviço da Secretaria Especial de Direitos Humanos responsĂĄvel por receber denĂșncias de violĂȘncia contra crianças e adolescentes, 55.576 tĂȘm algum vĂnculo familiar com a vĂtima. Desses, 81,3% sĂŁo os pais.\r\n\r\nOs dados do disque-denĂșncia nĂŁo retratam toda a magnitude do problema. NĂŁo hĂĄ como quantificar quantas crianças e adolescentes sofrem este tipo de agressĂŁo. O LaboratĂłrio de Estudos da Criança (Lacri), da Universidade de SĂŁo Paulo, estima que apenas 10% dos casos sĂŁo notificados. Entre 1996-2007, o Lacri contabilizou 159.754 denĂșncias, a partir de parcerias com instituiçÔes de diversos municĂpios. Seguindo a lĂłgica do estudo, isso significa que mais de 1,5 milhĂŁo de crianças teriam sido vĂtimas de maus-tratos nos Ășltimos 11 anos. \r\n\r\nMelhor do que remediar\r\n \r\nâPor acontecer em casa, de uma forma velada, Ă© muito difĂcil termos a real dimensĂŁo da violĂȘncia domĂ©sticaâ, diz a pediatra Rachel Niskier, da Sociedade Brasileira de Pediatria. Por essa razĂŁo, para ela, a prevenção do problema deve atingir vĂĄrios setores da sociedade. âSĂŁo tantas causas e conseqĂŒĂȘncias que Ă© preciso atacar em vĂĄrias frentesâ, diz.\r\n\r\nSegundo o Informe da ONU, 80% dos paĂses latino-americanos possuem legislação contra a violĂȘncia domĂ©stica. O Brasil nĂŁo estĂĄ entre eles. E isso, segundo a psicĂłloga Gabriela Azevedo Aguiar, uma das coordenadoras da Rede NĂŁo Bata, Eduque, deixa de garantir um direito importante da criança: aquele que garante uma vida saudĂĄvel.\r\n\r\nA lei ainda nĂŁo foi aprovada, mas a intenção existe na CĂąmara dos Deputados. O projeto lei 2654, de 2003, de autoria da deputada Maria do RosĂĄrio (PT-RS), que prevĂȘ a erradicação de todo tipo de castigo fĂsico e humilhante. Aprovado em todas as comissĂ”es, desde 2006 sua tramitação estĂĄ parada. âSe houvesse uma lei em que a criança nĂŁo pode receber castigos fĂsicos, mesmo os mais leves, a sociedade pelo menos ficaria mais alerta para a questĂŁoâ, diz Gabriela.\r\n\r\nAtendimento Ășnico\r\n\r\nO projeto tambĂ©m prevĂȘ outro fator apontado por especialistas como importante para a prevenção da violĂȘncia domĂ©stica: o tratamento adequado tanto Ă vĂtima como ao agressor. Isso para que a dinĂąmica familiar violenta nĂŁo se repita de geração a geração. Um estudo do Promundo realizado em 2005 mostra que uma das principais conseqĂŒĂȘncias do problema Ă© a sua transmissĂŁo geracional. \r\n\r\nNesse sentido, falta uma distribuição de espaços de atendimento em todo o PaĂs. âInfelizmente nĂŁo existem programas pĂșblicos que atendam todos os tipos de violĂȘncia. Dessa forma, o programa Sentinela, criado originalmente para atender apenas as vĂtimas de abuso ou exploração sexual, acaba absorvendo outros tipos de agressĂ”esâ, explica a psicĂłloga Dalka Ferrari, diretora do Instituto Sedes Sapientae, entidade referĂȘncia no atendimento ao agressor.\r\n\r\nO Sentinela, entretanto, sĂł estĂĄ presente em 1.104 municĂpios brasileiros. E seu orçamento foi reduzido. No ano passado, foram destinados R$ 58,7 milhĂ”es ao programa. Em 2007, a verba foi de R$ 52,7 milhĂ”es. \r
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